Os resultados desafiam uma percepção comum sobre o trabalho noturno e apontam que melhorias no projeto das máquinas podem ser mais eficazes para reduzir riscos ocupacionais.
É comum associar o trabalho noturno a maiores riscos ergonômicos nas operações florestais. No entanto, uma avaliação realizada em operações mecanizadas de corte, extração e processamento da madeira demonstrou que essa relação não é tão direta quanto se imagina. A pesquisa identificou que fatores como o tipo de máquina, as condições do terreno e as características da operação tiveram influência mais significativa sobre indicadores ergonômicos, como vibração, ruído, conforto térmico e visibilidade, do que o turno de trabalho analisado isoladamente.
Entre os equipamentos avaliados, o skidder apresentou as condições mais críticas, registrando níveis elevados de vibração e ruído, além de maiores exigências de movimentação da cabeça devido às limitações de visibilidade durante a operação. Os resultados reforçam que intervenções voltadas ao projeto das máquinas, à manutenção preventiva e ao planejamento operacional podem produzir impactos mais relevantes para a saúde e a segurança dos operadores do que mudanças focadas exclusivamente na organização dos turnos.
Além de contribuir para a discussão sobre ergonomia em operações florestais, o estudo fornece informações úteis para empresas, fabricantes, pesquisadores e profissionais envolvidos com mecanização, segurança do trabalho e gestão operacional. A metodologia empregada e a análise detalhada dos resultados estão disponíveis no artigo completo.
Efeito do turno de trabalho em variáveis ergonômicas nos postos de trabalho de máquinas de colheita da madeira
Resumo: Para aumentar a produtividade, empresas florestais brasileiras têm adotado o trabalho em turnos, incluindo operações noturnas, muitas vezes sem compreender plenamente os riscos ergonômicos em condições reais de operação. Este estudo avaliou o efeito dos turnos de trabalho sobre variáveis ergonômicas em postos de trabalho de máquinas, em povoamentos de eucalipto na região Sul do Brasil. Os dados foram coletados durante operações de corte, extração e processamento da madeira, utilizando feller buncher, grapple skidder e processador harvester, nos turnos diurno e noturno. A vibração de corpo inteiro foi avaliada conforme a NHO 09, o ruído e o conforto térmico com base nas NR 15 e NR 17, e a visibilidade segundo a diretriz ergonômica da Skogforsk, com comparação aos limites da legislação brasileira. Os resultados mostraram que os riscos ergonômicos foram mais influenciados pelo tipo de máquina e pelas condições operacionais do que pelo turno isoladamente. Diferenças entre turnos estiveram relacionadas a variações na condução da máquina, influenciadas pela visibilidade, velocidade de deslocamento e condições do terreno. O grappler skidder apresentou as condições mais críticas, com vibração de até 1,62 m/s² e ruído de até 89 dB(A), acima dos limites recomendados. Além disso, maiores movimentos laterais da cabeça indicaram redução da visibilidade, especialmente à noite. Conclui-se que os riscos ergonômicos na colheita mecanizada da madeira são determinados principalmente pelas exigências operacionais, reforçando a necessidade de melhorias no projeto das máquinas, na manutenção e na organização do trabalho.
Palavras-chave: exposição ocupacional; mecanização; fatores humanos; segurança do operador; operações florestais.
EFFECT OF WORK SHIFT ON ERGONOMIC VARIABLES IN WOOD HARVESTING MACHINE WORKSTATIONS
Abstract: To increase productivity, Brazilian forestry companies have increasingly adopted shift work, including night operations, often without fully understanding the associated ergonomic risks under real operating conditions. This study evaluated the effect of work shifts on key ergonomic variables at machine workstations in eucalyptus plantations in southern Brazil. Data were collected during cutting, extraction, and processing operations using a feller buncher, skidder, and landing processor, in both day and night shifts. Whole-body vibration was assessed according to NHO 09, noise and thermal comfort were evaluated based on NR 15 and NR 17, and operator visibility was analyzed using the Skogforsk ergonomic guideline, with results compared to Brazilian regulatory limits. The results showed that ergonomic risks were more strongly influenced by machine type and operational conditions than by work shift alone. Differences between shifts were associated with changes in machine operation caused by visibility, travel speed, and terrain conditions, which affected vibration and noise exposure. The skidder consistently presented the most critical situation, with vibration levels reaching 1.62 m/s² and noise levels up to 89 dB(A), exceeding recommended limits. In addition, greater lateral head movements indicated reduced visibility, particularly during night operations. These findings indicate that ergonomic risks in mechanized timber operations are primarily driven by operational demands rather than shift schedules, emphasizing the need for targeted interventions in equipment design, maintenance, and task organization to improve worker safety and performance.
Keywords: occupational exposure; mechanization; human factors; operator safety; timber operations.
